Entrevista Antônio Carlos Cardoso

Além de atuar como vice-coordenador do Núcleo de Acessibilidade (NACE) da UFPE, Antônio Carlso Cardoso é professor de Libras do Departamento de Psicologia e Orientação Educacionais (DPOE) do Centro de Educação da UFPE. Durante palestra no Congresso UFPE em Debate participou da mesa-redonda sobre direitos humanos, onde contou um pouco da sua vida no interior de Pernambuco e da trajetória de luta pelos direitos dos surdos. Neste entrevista ele conta sobre a importância de sensibilizar a população sobre as necessidades das pessoas com deficiência viverem sem restrições e alerta que, apesar das conquistas como a Lei Brasileira de Inclusão (2015), ainda há muito para se conquistar. No Brasil temos por volta de 9 milhões de surdos, fora os que não são contabilizados. A Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi aprovada como uma língua apenas em 2012.

Porque é importante termos uma pessoa com deficiência na mesa Universidade e Direitos Humanos no congresso?

Bom, primeiro eu tenho que agradecer a sensibilidade que a ADUFEPE teve em me convidar e aproveitar para trabalhar essa questão da alteridade, para que as pessoas se coloquem no lugar do outro, neste caso, no meu lugar, um palestrante surdo. Isso mostra que as pessoas com deficiência, inclusive os surdos, tem a mesma capacidade e abre a mente para que o outro possa evoluir, de fato, nessa questão do respeito entre as pessoas. Hoje a ADUFEPE é digamos um modelo para trabalharmos com inclusão, independente do tipo de deficiência. Enfim precisamos melhorar a acessibilidade inclusive na questão tecnológica (sites) em toda a UFPE. O congresso foi muito importante, para começar a divulgar essas necessidades e apresentar o cenário atual e as dificuldades enfrentadas por nós.

Como pensar a inclusão, não só da formação, mas nos vários aspectos das deficiências?

Essa questão tradicional dos direitos humanos precisa mudar de fato, porque hoje somos seres humanos diferentes, cada um com suas características e perfis. É importante a gente garantir essa questão da acessibilidade garantindo a peculiaridade de cada um. Por exemplo, na universidade, os funcionários, os professores, os técnicos e os alunos cada um tem um direito humano e de acessibilidade, que deverá ser de igual para igual.

Quais os maiores entraves nesse sentido dentro da universidade, como a gente pode melhorar essa acessibilidade?

Tendo como exemplo o meu caso: em 2014 fui professor substituto, não tinha acessibilidade nenhuma aqui, eram muitas barreiras para eu conseguir me comunicar. Eu trabalho no Departamento de Psicologia e orientação educacional, só com a minha chegada, contrataram um bolsista intérprete de libras, que ficou um ano lá. Quando eu voltei como efetivo e cheguei na UFPE já tinha um intérprete de libras. Eu sempre vi a diferença nessa acessibilidade, de quando eu era substituto e depois que me tornei efetivo. Hoje, além de professor, sou do Núcleo de Acessibilidade (NACE) da UFPE, por isso, estamos divulgando nas universidades essa questão da acessibilidade como o direito humano, os direitos das pessoas cegas, cadeirantes, surdas. Estamos em vários centros fazendo essa sensibilização, mostrando a necessidade de acolher as pessoas com deficiência, e do problema da falta de intérpretes de libras em vários espaços, como na reitoria, onde a acessibilidade fica fragilizada.

Em relação a empregabilidade das Pessoas Com Deficiência (PcD) na UFPE?

Precisamos abrir mais concursos para PcD porque antes não tinha, foi todo um processo que inclusive o Ministério Público tem uma pasta sobre essa questão, temos uma lei 5676 que é um decreto 7626 ele garante essa questão da acessibilidade. Para avaliar esse intérprete de libras temos uma banca avaliadora, em que convidamos surdos para avaliar o intérprete. Hoje nós temos 300 professores em universidades brasileiras, aqui na UFPE nós temos apenas oito. Aqui na UFPE temos oito professores e nove professores ouvintes que atuam em Letras Libras, já intérpretes temos 11 de libras em toda a universidade, de um modo geral em todos os campus, incluindo Vitória e Caruaru.

Por Daniela Almeida

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