Segundo dia de Congresso traz discussão sobre Universidade e Financiamentos

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Segundo dia de Congresso traz discussão sobre Universidade e Financiamentos

7 de novembro de 2018

Presidente da Facepe, Abraham Sicsú, e pesquisador do Ipea  Paulo Meyer analisaram o contexto atual da autonomia universitária e do financiamento público

Com o tema Universidade de Ideias e Ideias de Universidade, o II Congresso UFPE em Debate entrou no seu segundo dia de atividades e palestras. Na manhã desta quarta-feira (07), Abraham Sicsú, presidente da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe), abriu a palestra sobre o tema Universidade e Financiamentos, ao lado do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Meyer, no Auditório Paulo Rosas (ADUFEPE).

Além de servirem como ponto de partida para jovens e adultos ingressarem no mercado de trabalho, as universidades públicas do Brasil têm o papel de promover, com autonomia, a formação científica de sua comunidade através de financiamento público. Segundo Abraham Sicsú, os Estados brasileiros enfrentam uma situação delicada. “Pelo cenário que atravessamos, temos uma série de indicadores que mostra uma redução orçamentária no investimento do ensino público. Por isso devemos construir alternativas, mas sempre tendo em vista o que está sendo proposto, ou seja, com objetivo”.

Apesar do cenário apontado, o presidente da FACEPE acredita que os setores de pesquisa devem ser bem avaliados. “Eu não acredito que um modelo de financiamento vá diminuir as dificuldades da nação. A incerteza que se tem no mercado de trabalho gera uma dependência do Brasil e as alternativas de financiamento devem fazer parte de uma discussão no âmbito nacional”, avaliou Sicsú.

Já o pesquisador Paulo Meyer acredita que, para o Brasil evitar as dificuldades que atravessa no ensino superior, é preciso pensar primeiro políticas de investimento para o ensino básico. “Apesar da cota ser uma política afirmativa que permite a entrada de pessoas com poucas oportunidades na universidade, é preciso pensar políticas antes do ensino superior que não sejam exclusivamente essa. Não podemos esquecer as políticas de conclusão”.

Após fazer um comparativo entre os dados de pessoas que entraram em universidade pública por meio de cotas e aquelas que conseguiram o feito por concorrência ampla, Meyer finalizou sua fala reiterando a necessidade dos governos brasileiros pensarem em financiamento público como forma de garantir universidades públicas bem-sucedidas. “Se não melhorarmos a qualidade do ensino na educação básica, corremos o risco de enfrentar as mesmas dificuldades que enfrentamos, hoje, no ensino superior”, concluiu Meyer.

Com a proposta de construir um diálogo mais efetivo entre a comunidade acadêmica e o ambiente externo à universidade, o II Congresso UFPE em Debate, promovido pela ADUFEPE, reúne especialistas, professores e estudantes de todo o Brasil para discutir o papel da universidade pública brasileira. O evento, que começou dia 6 e tem seu encerramento dia 9 de novembro, é totalmente gratuito.