As ameaças ao desenvolvimento tecnológico

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As ameaças ao desenvolvimento tecnológico

8 de novembro de 2018 | Por: Suara Macedo

A primeira mesa-redonda da quarta-feira (7) debateu Universidade, Ciência, Cultura, Tecnologia e Inovação, com os professores Remi Castioni (UNB) e Celso Pinto de Melo (UFPE). Os palestrantes deixaram um sinal de alerta para os ouvintes do II Congresso UFPE em Debate: a universidade no Brasil enfrenta muitos desafios e o desenvolvimento tecnológico está em risco.

O físico Celso Pinto de Melo iniciou mencionando avanços na área tecnológica e industrial brasileira dos últimos anos, “No começo do século 21, pela primeira vez em nossa história, tivemos a ciência como instrumento de avanço da sociedade. A ciência brasileira atingiu o limiar da massa crítica funcional e deve ser encarada como uma ferramenta estratégica essencial para o desenvolvimento nacional”. Em seguida, ele destacou a importância de programas inclusivos e mobilizadores e, por fim, alertou para perigos latentes devido a conjuntura política. “E isso tem a ver com um projeto de país que está em risco”, avisou.

Melo citou a transferência da tecnologia da Embraer, que provavelmente será vendida para a gigante norte-americana Boeing, como uma perda para o Brasil. Também citou o domínio do ciclo nuclear, tecnologia desenvolvida durante 40 anos pela marinha, na mira de interesses internacionais. “O submarino nuclear trata-se da defesa dos nossos recursos estratégicos como a Amazônia e o pré-sal”.

A partir dessa abordagem, Melo ressaltou o papel das políticas que possibilitaram os avanços e a tentativa de desconstrução disso tudo. “O sucesso desses projetos começou a incomodar alguns vizinhos. Era uma prioridade quebrar esse mundo multipolar. O Brasil começava a dar certo e havia grande expectativa sobre a ciência brasileira”.

Além do incômodo causado pelas riquezas tecnológicas e naturais ele lembrou a expansão universitária e o acesso da população que incomodou as elites. “Quem tem privilégios reage às perdas deles e temos que mudar isso para termos avanços”, afirma o físico. Diante do cenário, Celso prevê perdas e esfacelamento. “O que podemos esperar? Lamento dizer que aquele Brasil produtivo ficará suspenso. E o que precisamos fazer é resistir”.

O professor Remi Castioni apontou características do ensino superior e apresentou um panorama com o perfil do nosso sistema de formação, as tendências a partir do Plano Nacional de Educação (PNE), o modelo de universidades que estamos reproduzindo, as tendências da indústria 4.0 e o projeto que é preciso construir. “Passamos de um sistema de elite para um sistema de massa. Precisamos resgatar essas ideias pois nem tudo está perdido, mas os desafios são enormes”, disse Castioni.

Leia a entrevista completa com Remi Castioni : https://www.adufepe.org.br/2018/11/a-universidade-publica-ainda-reproduz-um-modelo-tradicional-e-muito-conservador/