Reunião ampliada na UFPE mostra consequências dos cortes

Docentes, técnico-administrativos e estudantes  participaram, hoje (8), da Reunião Ampliada promovida pela Associação dos Docentes da UFPE (ADUFEPE) para debater os impactos do corte das verbas na universidade. Foi uma importante oportunidade para a comunidade acadêmica expressar as preocupações num cenário de cortes de 30% no orçamento. Cerca de 40 pessoas participaram do evento. A reunião contou com a participação do pró-reitor de planejamento da UFPE, Tiago Galvão e foi coordenada pelo vice-presidente da ADUFEPE, Fernando Nascimento. A mesa também foi composta pelo tesoureiro da entidade, Audísio Costa. “Assim que vimos o anúncio do corte, marcamos essa reunião e solicitamos participação da reitoria, para junto a toda comunidade acadêmica podermos debater, conhecer e discutir meios de reivindicar a mudança dessa situação”, disse Fernando.

Galvão informou que a universidade já vem sofrendo cortes anunciados desde janeiro deste ano. Para o mês de maio, eles somam o bloqueio de 30% em despesas dos recursos que seriam utilizados o ano inteiro. No caso de manutenção, foi uma redução de 2 (corte de janeiro) para 50 milhões de reais. E no caso de investimento, de 3.6 para 5.8 milhões. Ou seja, 30% para custeio (que inclui despesas como água, luz e segurança) e 55% do orçamento previsto para capital (que abrange obras e equipamentos).

Confira os principais pontos do debate.

Importância da universidade

Os docentes salientaram a importância social da universidade e da manutenção das suas atividades. A UFPE atende cerca de 32.440 alunos matriculados nos cursos de graduação sendo 24.973 do Campus Recife, 4.466 do Campus do Agreste e 1.760 do Campus Vitória.  Sem falar nos 8.492 alunos de pós-graduação (4.135 do mestrado acadêmico, 440 do mestrado profissional, 3.823 do doutorado e 91 do doutorado interinstitucional).

“Temos mais de 450 projetos de extensão e somos a oitava universidade brasileira em publicações de artigos. Isso precisa ser preservado. É esta universidade que estamos defendendo. Ela é importante para sociedade pernambucana e seu papel transformador precisa ser ampliado”, defende Galvão.

O RU corre risco?

O pró-reitor afirma que o Restaurante Universitário é o segundo na ordem de prioridade da universidade. Que são, as bolsas estudantis, RU e os serviços terceirizados. Mas no cenário de contingenciamento, o RU, que já sofre problemas recentes necessitando reformas e pagamento integral das refeições, certamente será ainda mais lesado, prejudicando milhares de estudantes.

E os serviços terceirizados?

A universidade atende a 1.500 trabalhadores terceirizados que atuam na vigilância, serviços gerais, limpeza, portaria e outros cujos contratos estão em risco.

Bolsas para estudantes

Galvão informou que os cortes não atingem os investimentos do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). Portanto, as bolsas estudantis que dependem do Pnaes devem ser mantidas.

Pesquisas serão afetadas?

Atividades de laboratórios e pesquisas podem paralisar. Tiago Galvão informou que diante do bloqueio de 50 milhões, a continuidade das pesquisas da universidade está em perigo. “Paralisação de pesquisa é um caminho sem volta”, lamenta o pró-reitor.

Assembleia

Amanhã, 9 de maio, os docentes da UFPE se reunirão em Assembleia que além dos cortes, traz na pauta Greve Geral da Educação prevista para 15 de maio.

O professor Fernando Nascimento contou que, ao ter conhecimento dos cortes, o sindicato agendou uma reunião com a reitoria e depois, reuniões ampliadas nos três campi com todos segmentos da UFPE. Na terça-feira a reunião foi no Recife, nesta quinta-feira será às 16h, em Caruaru e na sexta, às 16h, em Vitória.

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