Perdemos a Copa e a Embraer

Conforme notícias divulgadas na imprensa, a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) será vendida para a gigante norte-americana de aviação Boeing. O anúncio foi feito, na calada da noite, em plena Copa do Mundo, na véspera do jogo decisivo do Brasil contra a Bélgica, pelas quartas de final. A derrota por 2×1 adiou o sonho do hexacampeonato. Perdemos a Copa, o Pré-Sal, os Direitos Trabalhistas e agora a Embraer. Esta tem  sido a pratica do golpista  Temer de  promover a maior entrega do patrimônio nacional e das nossas riquezas naturais ao mercado financeiro e às grandes corporações internacionais.

Neste momento é importante pressionar o Congresso e mobilizar a sociedade para impedir que essa venda se concretize e comprometa os programas militares do país e a fabricação de aviões comerciais e jatos executivos. Não é de conhecimento público os termos do contrato de venda. Sabe-se apenas que que a Boeing vai controlar até 90% de uma nova empresa que receberá toda a área de aviação comercial da Embraer, liderando assim o mercado mundial de aviação. Lembramos que sempre há uma chance de dar a volta por cima, portanto muita atenção para as eleições de outubro de 2018, vamos eleger quem defende o Brasil para os brasileiros.

A Embraer, empresa de alta tecnologia e  importante para defesa nacional, é a única fabricante brasileira de aviões e a terceira maior do setor no mundo. Ela é estratégica para o Brasil e se efetivada a venda, estaremos entregando de mãos beijadas toda nossa cadeia produtiva e acúmulo tecnológico e científico para os americanos.

Mas o que significa abrir mão do controle da Embraer?

Atualmente a Embraer conta com cerca de 15 mil funcionários de altíssima qualificação. É o maior polo gerador de tecnologia aeronáutica do Hemisfério Sul. Abrir mão do controle da empresa significa um ataque aos planos estratégicos de defesa nacional e grande prejuízo ao desenvolvimento de aeronaves civis nacionais com uso de tecnologia de ponta. Além disso, a venda compromete os atuais 17 mil postos de trabalho e a própria permanência da fábrica no país.

A Boeing pagará pelo negócio a merreca de US$ 3,8 bilhões. Ao longo dos anos, os brasileiros investiram nesta empresa, através do BNDES,  quase dez vezes o valor pela qual ela está sendo vendida, ou seja, o que a Boeing paga pela Embraer equivale a 10 por cento do que se investiu na empresa.

Professor Sergio Rezende participa em San Francisco, Califórnia, da Conference on Magnetism
Professor Sergio Rezende participa em San Francisco da Conference on Magnetism

Para o ex-ministro de Ciência e Tecnologia nos governos de Lula, Sérgio Rezende, a venda da Embraer para uma empresa americana é um desastre para o país. “Todos que tem trabalhado para desenvolver a Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil estão em estado de enorme frustração”, disse o professor da UFPE.

Ele acredita na possibilidade de reverter a situação, “ainda contamos que o Congresso Nacional possa tomar alguma medida para evitar a concretização deste desastre”. Sérgio Rezende está em San Francisco, nos Estados Unidos, participando da Conference on Magnetism que é realizada a cada três anos num país diferente.

A ADUFEPE é contra a venda da Embraer à Boeing.  Essa operação é lesiva ao patrimônio e ao conhecimento nacional desenvolvido há meio século pela Aeronáutica, tendo à frente o Marechal Casimiro Montenegro Filho, fundador do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

O ano passado, por iniciativa da ADUFEPE , foi criada a Frente Pernambucana em Defesa da Universidade Pública com o apoio de estudantes, funcionários técnico-administrativos e professores/pesquisadores da UFPE. A nova diretoria da ADUFEPE se coloca à disposição para colaborar com o debate sobre o financiamento público e a defesa da produção científica, tecnológica e da inovação.

No XIV Encontro Nacional do Proifes – Federação, que será realizado no fim de julho, diretores da ADUFEPE vão apresentar proposta de mobilização com o intuito de tentar impedir a venda da Embraer. Neste encontro iremos propor a instalação do Grupo de Trabalho (GT) Ciência e Tecnologia que terá como objetivo debater as questões relativas a ciência, tecnologia e inovação na universidade pública.

“ Nossa posição é em defesa da ciência e inovação tecnológica nacional e por esta razão somos contra à venda da Empresa Brasileira de Aeronáutica . Defendemos todas as empresas estratégicas indispensáveis à soberania nacional e somos contrários às privatizações sem consulta ao povo brasileiro, dono deste grande patrimônio”, declarou o presidente da entidade, Edeson Siqueira.

 

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