Na UFPE Fernando Haddad convida público a refletir sobre democracia

“A democracia precisa funcionar mesmo quando o estresse está presente”

As características da democracia, suas falhas e êxitos foram abordadas na manhã desta sexta-feira (11) por Fernando Haddad, no ciclo de palestras Crise Política e Democracia realizado pela Associação dos Docentes da UFPE (ADUFEPE), na quadra poliesportiva do núcleo de Educação Física da UFPE.  A mesa foi composta pelo presidente da ADUFEPE, Augusto Barreto, os organizadores do evento, Edilson Fernandes e Sidartha Sória e a debatedora, Maria Eduarda da Mota.  Centenas de pessoas, entre estudantes, professores e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores compareceram ao evento.

O ex-ministro da Educação iniciou sua palestra apresentando aspectos da democracia. Definindo-a como um regime que procura acomodar tensões e um meio importantíssimo de participação popular. “A democracia procura acomodar situações e impedir rupturas”, afirmou. “Mas não é um sistema perfeito. Nos submetemos a vontade da maioria, ainda que consideremos a maioria errada, ela mesma tende a se corrigir. Por isso a maioria deve ter voz sempre e não se deve sufocar a minoria”, continuou o petista. Ele demonstrou preocupação com dois comportamentos do nosso congresso.  Primeiro, o discurso da intolerância que tem elevado o tom no país. E segundo, a tomada de decisões importantes pelo congresso (como o parlamentarismo recentemente em debate) sem a participação popular. Mas, para Haddad a importância da participação democrática vai além: “A democracia é muito mais complexa do que parece, é um valor que tem que ser cultivado todo dia… Se tivermos liberdade de dizer o que pensamos e se julgarmos com sentimento de que pertencemos a uma comunidade, a democracia vai dá certo”.

Após sua fala, o petista enfrentou as provocações da profa. Maria Eduarda da Rocha. Uma das perguntas da debatedora relembrou a atuação dos protestos em 2013. Ela perguntou se falta ao PT força ou vontade de canalizar a ação popular. Haddad admitiu que falta força. “Responder o que falta significa que é preciso se questionar o que fazer”.  A professora também o questionou sobre sua permanência no PT e a possibilidade de disputa para a presidência da Republica em 2018.  No bloco seguinte Haddad afirmou que acha desrespeitoso discutir plano B, quando todos reconhecem a importância e, em questão, a inocência do principal nome do partido para concorrer a presidência. “Quando me recuso a discutir alternativas ao Lula é por respeito à pessoa dele”.

O presidente da ADUFEPE, Augusto Barreto, perguntou ao petista sobre a participação dos sindicatos e a necessidade de implantação de um novo projeto no Brasil. Haddad respondeu e relembrou o perigo da disseminação dos discursos de intolerância. O público também participou com perguntas.

Católica

Na tarde do dia 11, o ex-prefeito de São Paulo participou de um debate na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) intitulado “A Retomada da Democracia em um Projeto de Nação”. O evento teve apoio da ADUFEPE e foi promovido pela CUT-PE em parceria com a Unicap. O prof. Gilberto Rodrigues, diretor da ADUFEPE, representou a entidade no debate sobre o cenário político nacional e as perspectivas para 2018. 

Em sua fala, o representante da ADUFEPE, demonstrou preocupação com a inserção efetiva de sustentabilidade num projeto de nação, considerando a extensão territorial do Brasil e a atual conjuntura. “Levando em consideração todas as perdas dos povos indígenas e quilombolas, como pensar em desenvolvimento sustentável a partir dessas vivências?”, questionou o biólogo e ambientalista.

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