Autonomia e financiamento em debate na UFPE

Autonomia universitária e financiamento à pesquisa foram temas do debate realizado na tarde desta sexta-feira (14), no auditório Ricardo Ferreira (CCEN). O evento, mediado pelo professor Diogo Simões, teve a participação do ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, do ex-reitor da UFPE, Amaro Lins, do pró-reitor para assuntos acadêmicos da UFPE (Proacad), Paulo Goes e também do reitor da UFPE, Anísio Brasileiro. A coordenação do evento foi do Conselho Departamental do CCEN. Os debatedores trouxeram uma importante reflexão sobre as ameaças sofridas pela universidade tanto no quesito autonomia quanto financiamento. Rezende fez uma retrospectiva da relação dos governos com Ciência e Tecnologia nos últimos 30 anos, Lins apontou os recentes ataques sofridos pela Universidade e Goes, trouxe uma reflexão sobre o contexto atual.

O ex-ministro lembrou ações das últimas presidências, após abertura política até o cenário atual. Desde iniciativas dos professores no governo Tancredo, a extinção da Capes no governo Collor, estímulo para criação de universidades privadas no governo FHC, criação de fundos setoriais de C&T, avanços do governo Lula e os recentes cortes de Temer. “Não sabemos o que pode acontecer em termos de orçamento”, lamentou Rezende.

A questão da autonomia, foi destaque na fala do ex-reitor. Amaro Lins destacou o significado do termo pela constituição, para citar fatos recentes que a atacam, como p projeto chamado de “Escola sem partido”( proibição de determinados conteúdos pelos professores), o caso do ex-reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier (que cometeu suicídio após acusações), a tentativa de censura ao curso “Golpe de 2016” na UNB e a ameaça a estudantes e professores do CFCH chamados de doutrinadores. Lins também afirmou que o engessamento do orçamento, as dificuldades para contratação de técnicos, a interferência na eleição do reitor (diante de anúncios de que no próximo governo o presidente poderá indicar os reitores de universidades públicas) e a PEC 95 (que congela investimentos públicos por 20 anos), interferem, e muito na atuação universitária. “Sem atender essas necessidades, não teremos uma universidade autônoma. E esse debate precisa acontecer em outros locais da universidade, principalmente nas salas de aula”.

Já o pró-reitor, Paulo Goes, apresentou outros aspectos do tema, entre eles: o papel da universidade para formar sujeitos críticos e para emancipação social, a importância da construção de uma universidade autônoma, competente e criativa e o desafio de ampliar sem perder a qualidade. Por fim ele questionou sobre o futuro. “Neste debate não visualizamos nenhum cenário favorável e os principais entraves para mudá-los estão aqui na universidade. Para enfrentá-los, temos que adotar uma agenda para diminuir a desigualdade social e defender os direitos humanos”, concluiu.

Orçamento das federais

O primeiro pronunciamento do debate, foi do reitor da UFPE, Anísio Brasileiro. Ele trouxe um panorama da situação das universidades. Brasileiro informou que me 2013, foram 200 milhões foram disponibilizados para capital e para 2018 apenas 15 milhões. Uma perda de mais de 80 %. Com custeio, o orçamento foi mantido, mas os custos com limpeza, pessoal e segurança aumentaram consideravelmente.

“ Quem nos defenderá na sociedade são os segmentos que reconhecem nossa relevância e para mantê-la, precisamos lutar”, convoca o reitor.  Ele apontou como alternativa, buscar recursos públicos e parcerias em empresas públicas e privadas. Também salientou a luta pela autonomia, destacando a importância da escolha dos seus dirigentes.

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