Tarde da terça foi para discutir direitos humanos e inclusão

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Tarde da terça foi para discutir direitos humanos e inclusão

7 de novembro de 2018

Mesas-redondas debateram nesta terça-feira a relação da universidade e o seu vínculo com grupos minoritários, com a noção de justiça social e com as lutas para equidade.

Promovido pela Associação de Docentes da UFPE (ADUFEPE), a primeira tarde do II Congresso UFPE em Debate, nesta terça-feira (06/10), foi marcada por temas como direitos humanos, inclusão social, empoderamento da população brasileira e o papel da universidade nesse contexto. Os debates evidenciaram as disparidades, as desigualdades e iniquidades sociais do Brasil. Em contrapartida, os participantes das mesas refletiram sobre os modos de enfrentarmos esses desafios.

O evento teve duas mesas-redondas paralelas: Universidade Pública e o Compromisso com a Defesa dos Direitos Humanos e Universidade Pública: Inclusão e Empoderamento Social. Os debates mostraram a posição da universidade e o seu vínculo com as pautas de grupos minoritários, com a noção de justiça social e com as lutas para equidade.

Realizada no auditório da Adufepe, a mesa Universidade Pública e o Compromisso com a Defesa dos Direitos Humanos discorreu sobre projetos e ideias de Universidade e suas ligações com os direitos humanos, visto que a educação é o processo chave das relações dinâmicas da sociedade.

Nesta mesa estavam presentes o filósofo Moisés Santana, professor da UFRPE; a pedagoga Rubneuza de Souza, da Educação do Movimento Sem Terra (MST); Antônio Carlos Cardoso, professor em Língua Brasileira de Sinais (Libras) da UFPE, e a psicóloga Maria de Nazaré Zenaide, do Programa de Pós-Graduação de Direitos Humanos da Universidade Federal da Paraíba (PPGDH/UFPB).

O Congresso é um momento oportuno para pensar a nossa contribuição para o ambiente democrático. Não perdemos nosso poder e temos que estar prontos para atuar em cada esfera e resistir. O momento é de entender em profundidade como as tecnologias estão funcionando dentro deste novo contexto, que age de forma truculenta contra os direitos que construímos. Precisamos de uma diversidade que traga humanidade e todos seus direitos dentro dela”, disse Moisés Santana, professor associado da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

A noção de democracia, o conceito de cidadania e pluralidade foram recorrentes na mesa referente aos direitos humanos. A posição da UFPE dentro desse cenário também foi destacada. A universidade se coloca em vários âmbitos de atuação em prol dos direitos humanos, a exemplo do projeto de extensão Observatório de Mídia, o Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos, e a própria Comissão de Direitos vinculada ao Centro de Artes e Comunicação (CAC).

Tais ações e direcionamentos desses elementos da universidade chamam atenção à problemática do desrespeito a esses direitos e ressaltam a tentativa dos palestrantes esensibilizar a todos os que compõem a comunidade acadêmica – professores, técnicos e alunos – para uma convivência mais humana, respeitosa, fraterna e igualitária nos relacionamentos.

A universidade deve existir para melhorar as condições de vida da população. Não podemos abrir mão da universidade pública e gratuita para todos, sem importar a origem e a cor: índios, negros e camponeses todos devem ter acesso a seus direitos. O conhecimento produzido na universidade deve estar acessível a toda população”, concluiu Rubneuza, também participante do Setor de Educação do MST.

A mesa-redonda Universidade Pública: Inclusão e Empoderamento Social, realizada no auditório do CTG/UFPE, seguiu o mesmo tom: buscar uma Universidade cada vez mais plural, polifônica, multifacetada e que represente, de fato, a população do País. Participaram da discussão a cientista política Vera Cepêda, professora de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar/SP) e Joanildo Burity, pesquisador do Centro de Estudos de Cultura, Identidade e Memória (Cecim) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).

Se você olhar na longa trajetória da universidade, da sua criação, implementação, desenvolvimento ao longo do século XX e começo do século XXI, as pessoas que circulam dentro da universidade não parece com a população brasileira. Embora esteja mudando nos últimos anos, o perfil da universidade não está de acordo. Enquanto essa relação não se equilibrar, nossa sociedade continuará sendo elitista”, afirmou Vera Cepêda.

Tanto a primeira mesa como a segunda provocaram e incitaram a formulação de respostas às diversas questões, como o papel de justiça social e a responsabilidade social que a universidade, como instituição pública, deve difundir sistematicamente nas várias instâncias de atuação.

Hoje em dia, temos 300 professores surdos em universidades brasileiras, se for ver negros e surdos são apenas 45. A educação, neste sentido, precisa estar atenta. Hoje a prova do Enem é acessível o que permite uma entrada de mais alunos. As vagas para deficientes ainda são poucas porque são várias diferenças. Temos poucos intérpretes também para atender a essa população surda e cega”, lamentou Antônio Carlos Cardoso, vice-coordenador geral do Núcleo de Acessibilidade (NACE).