Cientista político Roberto Amaral ministrou palestra no Congresso UFPE

Compartilhar

  • Facebook
  • Whatsapp
  • Twitter
  • E-mail
  • Imprimir

Cientista político Roberto Amaral ministrou palestra no Congresso UFPE

9 de novembro de 2018 | Por: Lucas Daniel

O ex-ministro Ciência e Tecnologia debateu nesta quinta-feira sobre a produção científica nas universidades públicas brasileiras

A palestra “Desafios e Perspectivas da Produção Científica nas Universidades Públicas” foi proferida, na tarde desta quinta-feira (8) pelo cientista político Roberto Amaral, ex-ministro Ciência e Tecnologia, que resumiu os variados bloqueios do sistema de construção de conhecimento no que se refere à inovação, à tecnologia e à ciência no Brasil.

O professor da PUC-RJ Roberto Amaral fez um panorama dos desafios e das perspectivas da produção de científica ao passo que abordou as raízes históricas do país para sucateamento da universidade pública, o desinvestimento nessas instituições e, por conseguinte, em pesquisas, inovação e novidades no campo tecnológico.

Durante a palestra, o cientista político desenvolveu um comparativo entre o Brasil e a China no que diz respeito aos investimentos em tecnologia, pesquisa e educação. Ele perguntou ao público presente quem investia no Brasil e respondeu: o Estado. “Qual a distância da China de 1949 para a de hoje? Qual a distância (de avanço tecnológico, científico) do Brasil de 1949 com o Brasil de agora?”, questionou.

Roberto Amaral fez uma argumentação comparativa sobre o volume de investimentos entre os referidos países. “A china é um exemplo do que nós poderíamos ser e deixamos de ser. Em 1949, o Brasil já era uma potência, já era um país ingressado na sua fase de industrialização e a china era um país agrário e camponês. Hoje, nós continuamos em um país em busca da industrialização, longe de uma soberania, fazendo um esforço para alimentar a população e estamos dependendo da construção de conhecimento externo”, ressaltou o Ex-ministro.

Para comprovar a afirmação anterior, Roberto Amaral citou o estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Tal estudo indica a China como o país que mais exporta tecnologia de ponta. O levantamento comparativo entre China e Brasil feito pela entidade demonstra que as exportações de alta tecnologia respondiam por apenas 5,4% das vendas do Brasil, em 2008. No mesmo ano, chegavam a 22,5% das vendas externas da China.

Universidade – O eixo central da palestra girou em torno da relação educação, na figura da universidade pública, e tecnologia. Nesse sentido, ele fala do papel da Universidade como vanguarda na inovação: “Se a Universidade não produzir conhecimento, o conhecimento não será produzido”, ratificou.

No entanto, ele indicou os desafios a serem enfrentados pelas instituições. “Os cortes de investimentos feitos pela atual gestão (Temer) são danosos e muito difíceis de serem reparados mesmo em um governo combativo a essas medidas”, salientou. O debate trouxe outras questões significativas sobre o modelo de universidade, o projeto nacional de desenvolvimento inexistente e as precarizações das instituições universitárias federais.

Ao final da mesa Amaral citou o livro de Gilberto Freyre, Casa Grande & Senzala, para responder as questões referentes a subordinação, entreguismo e o fomento ao consumo de produtos e tecnologias exportadas em detrimento da construção de conhecimento e tecnologia nacional.