“As mulheres são protagonistas da luta pela anistia no Brasil”

Simpósio Nacional de História, que acontece de 15 a 19 de julho na UFPE, é sediado também pela ADUFEPE.
Na programação desta quarta-feira (17), o auditório Professor Paulo Rosas recebeu mesa sobre “40 anos da Lei da Anistia”

“Gênero, Mobilizações e memórias: 40 anos da Lei de Anistia” foi o tema do diálogo contemporâneo realizado na manhã desta quarta-feira (17), no auditório Professor Paulo Rosas, do 30 º Simpósio Nacional de História. O evento vai até o dia 19 de julho na UFPE.

A mesa foi coordenada pela professora Zélia Gominho (UPE) e recebeu Ana Rita Fonteles (UFC), Carla Simone Rodeghero (UFRGS) e Pedro Ernesto Fagundes (UFES). Os palestrantes trouxeram contribuições sobre a participação feminina na luta pela Anistia e os diferentes significados da lei n° 6.683, promulgada em agosto de 1979, após ampla mobilização social, com o intuito de reverter punições aos cidadãos considerados criminosos políticos pelo regime militar.

 Ana Rita utilizou entrevistas com a fundadora e líder do Movimento Feminino pela Anistia (MFPA), Terezinha Zerbini, para mostrar a importância da atuação da militante nos caminhos pela anistia dando enfoque em sua história pessoal e suas ações individuais. “A fala de Terezinha mostrou que ela havia existido. Mesmo sem concordar com pensamentos hegemônicos da época, agiu provando que está longe de ser um folclore”, disse a historiadora.

 Carla Simone Rodeghero, também utilizou dados com base em contribuições de mulheres que militaram no MFPA.  A autora do livro “Anistia ampla, geral e irrestrita: história de uma luta inconclusa” compartilhou seus estudos destacando as dimensões da luta pela Anistia. Ela afirma que suas pesquisas permitiram refletir sobre diversos sentidos da anistia em diferentes conjunturas, entre eles, a medida como um ato de pacificação das famílias brasileiras. “A pesquisa permitiu refletir a diversidade de sentidos pelos quais se lutava”, disse Rodeghero lembrando que para alguns setores da sociedade civil, anistia significava acordo, consolidação e esquecimento.

Pedro Ernesto também reafirmou que a Anistia foi adotada pelas instituições brasileiras apenas como um acordo. Ele questionou o esquecimento da memória das antigas dirigentes do movimento feminista pela anistia, citando, além de Terezinha Zerbini, lutadoras como Iramaya Benjamin e Helena Greco. “Uma tentativa de apagar da história a participação das mulheres, mas quero destacar que são elas as grandes protagonistas da luta pela anistia no Brasil” concluiu o pesquisador.

A programação segue amanhã (18) e o diálogo “ A História Antiga no Brasil: Estado atual da Constituição do campo” será a partir das 10h, no auditório Paulo Rosas. Veja programação completa.

 

 

 

 

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