ADUFEPE comemora 40 anos

Relembrando lutas e conquistas e ressaltando a importância de preservação da memória a

Associação comemorou 40 anos de luta em defesa da democracia

Há 40 anos, nascia a Associação dos Docentes da UFPE. Em 1979, em meio ao regime militar, foi realizada a assembleia que instituiu a entidade, com 176 professores presentes. A ata da Assembleia de Fundação da ADUFEPE ratifica a convocatória: “Aos 26  dias do mês de março de 1979, no auditório do CECOSNE, reúnem-se em assembleia professores da Universidade Federal de Pernambuco com a finalidade de criar a Associação de docentes da UFPE” (ADUFEPE, 1979).

Este momento foi revivido nesta terça-feira (26) por diretores, ex-presidentes, sócios-fundadores, funcionários  e colaboradores. A comemoração de aniversário teve uma programação especial: com inauguração do Setor de Documentação e Memória e lançamento do livro Memórias do II Congresso.

Setor de Documentação

O setor foi inaugurado para preservação da memória e acervo produzido pela ADUFEPE. Para o professor José Audisio Costa, integrante da primeira diretoria, em 79, e da atual, a importância do local é garantir o conhecimento sobre o passado, presente e futuro.  “Ele representa a aglutinação, para tornar-se material científico, para se estudar a luta sindical das universidades públicas, em especial da Federal de Pernambuco. É nessa perspectiva que estamos inaugurando hoje esse setor. Ele com certeza vai reunir elementos para os que vão pesquisar o sindicato outrora”, disse o diretor.

Resultado de uma parceria com o Laboratório de Tecnologia para o Conhecimento e com o projeto de pesquisa e extensão Memória ADUFEPE, o setor é coordenado pelo professor Marcos Galindo e vice coordenado por Murilo Silveira. “A proposta desse centro de documentação é resgatar, preservar e difundir a memória da universidade. Ele guarda informações referentes aos processos políticos, mostrando como os professores estavam engajados. São documentos que, de uma forma geral, apoiam a construção da memória e da luta dos professores”, explica Galindo, que é orientador do projeto que conta com a atuação dos estudantes: Jarluzia Azevedo (responsável pela gestão), Luan Pedro, Wiglebson Sérgio, Mylena Lopes, William dos Santos e Tayná Zelaquet.

Homenagem aos ex-presidentes

A ADUFEPE também preparou um momento de homenagens e recordação. Placas foram entregues aos ex-presidentes, como reconhecimento pela atuação em gestões passadas. Em seu discurso, o atual presidente da ADUFEPE relembrou o início da luta sindical. “A ADUFEPE nasceu em 1979, ano em que tinha início a anistia, marcada por muitas lutas e grandes conquistas. Não teríamos acesso a essa universidade se não fosse a luta dos que aqui estão: lutas pela ampliação do número de vagas e pela interiorização foram travadas no início da ADUFEPE e conquistadas recentemente”, lembrou. Ele também frisou recentes pautas como a reprovação da Reforma da Previdência. “Temos agora uma grande luta que é combater o fim do sistema de seguridade social conquistado na constituinte cidadã”.

O professor Jaime Mendonça, que ficou por mais tempo como presidente do sindicato (de 1996 a 1998 e de 2009 a 2012), relembrou os primórdios citando colegas presidentes como Silke Weber e Edinaldo Miranda.  “Aprendi muito na ADUFEPE e ensinei um pouco também, tenho uma lembrança muito boa pois, pra mim a universidade não seria nada sem a ADUFEPE”, declarou o sindicalista. “Espero que os jovens a assumam para que dure o tempo que for preciso”.

Além de Jaime Mendonça e Audísio Costa, estavam presentes Silke Weber (1980), Sônia Marques (1982), Heloísa Morais (1983), Maria Luiza Aléssio (1987), Ascendino Dias (1992), Célia Cavalcante (1993), Evenildo Bezerra (2005) e Augusto Barreto (2016). A ADUFEPE já teve 35 gestões e 21 presidentes.

Em memória, foi homenageada a primeira presidente da ADUFEPE, professora Maria José Baltar (1979), na pessoa de sua sobrinha, Letícia Baltar Freire. O professor Ednaldo Miranda, presidente em 1986, perseguido durante a ditadura militar, foi representado pela filha, Emília Miranda. “Lembro da relação dele com o Adufepe após o exílio, de como ele se dedicava a luta e também se suas ausências. Eu era uma criança nesta época, só fui perceber da importância da ADUFEPE depois de ter feito toda minha graduação e pós na UFPE”, lembrou Emília.

Lançamento

O livro Memórias do II Congresso também foi lançado na noite comemorativa. A publicação é resultado do II Congresso UFPE em Debate, realizado em novembro de 2018 e contém posicionamentos levantados no evento sobre diversos temas relacionados à universidade. Teve a organização dos diretores José Audisio Costa, José Edeson de Melo Siqueira, Lucinda Maria da Rocha Macedo, Marcos Galindo e Zélia Granja Porto. A sistematização do livro foi coordenada pela professora Graça Oliveira e também teve colaboração de estudantes de pós-graduação em Sociologia.

“É muito importante reavivar  a memória, principalmente no contexto em que estamos vivendo. Este livro apresenta tudo que sabemos e o que devemos saber sobre uma universidade de ideias: a universidade da cultura, do conhecimento e com compromisso com as causas sociais. Aqui unimos um material que hoje disponibilizamos e inquieta a comunidade acadêmica para que novos sentidos sejam dados e, principalmente, esses percursos que se avizinham tão sombrios para nossa universidade, venham alimentar o debate”, disse Zélia Porto.

Após o lançamento, os presentes se confraternizaram ao som da banda Matéria Prima.

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