O Future-se e a autonomia universitária em debate

A comunidade acadêmica lotou o auditório Paulo Rosas, na tarde desta quinta-feira (08), para debater os rumos da universidade diante do programa Future-se, anunciado pelo Ministério de Educação (MEC). Várias opiniões foram colocadas pelos convidados da mesa e depois também pelos docentes e alunos presentes no seminário “A Educação Superior em Debate: O Future-se e a autonomia universitária”. No geral houve consenso da mesa de que a autonomia universitária está ameaçada, da necessidade de unir as entidades pela educação e ainda apresentar alternativas ao projeto. O Future-se foi apresentado em julho pelo ministro  Abraham Weintraub e está sob consulta pública até o dia 15 de agosto.

Para esclarecer e discutir o projeto estiveram na mesa Anísio Brasileiro, reitor da UFPE; Amaro Lins, ex-secretário de Educação Superior do MEC; Fernando Peregrino, o presidente do Confies (Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica) e diretor executivo da Coppetec Fundação; Maria do Carmo Soares, da secretaria regional da SBPC (Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência) e mediando o debate o presidente Edeson Siqueira (ADUFEPE), membro do comitê executivo do Observatório do Conhecimento.

Ao abrir os trabalhos da noite Edeson Siqueira falou sobre como a rede de instituições que compõe o Observatório estão atuando nas articulações com parlamentares nas duas frentes amplas nacionais no Congresso Nacional. Quem se mostrou solidária as entidades pela educação, Maria do Carmo Soares, secretaria regional da SBPC (Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência), e comentou da resistência da entidade ao longo de 71 anos da história.

A secretária Maria do Carmo salientou que a SBPC enviou moção ao MEC sobre o projeto Future-se, aprovada por ocasião da 71ª Reunião Anual da SBPC, na UFMS, em Campo Grande. (). Nesta mesma segunda-feira (5), outra proposta foi também apresentada ao secretário de Educação Superior do MEC, Arnaldo Barbosa de Lima Júnior, pelo presidente do Confies, Fernando Peregrino, presente no evento da ADUFEPE. Confira a nota do Confies.

Para falar pelas 96 fundações financiadoras de projetos nas universidades brasileiras, Fernando Peregrino, presidente do conselhos das fundações (Confies), foi categórico ao afirmar que captação de recursos é uma rotina nas universidades, pelo menos nos cursos de engenharia e saúde, com cerca de 25 mil projetos. Segundo ele nos últimos cinco anos foram captados 30 bilhões.   “A gente tem que enfrentar a discussão com o MEC e esclarecer a sociedade, articular as propostas no Congresso e promover a união das entidades, com independência de cada uma”, disse, e ressaltou que a Tv Confies estava transmitindo ao vivo o evento para todas as universidades parceiras.

O primeiro a analisar o projeto foi o ex-reitor Amaro Lins, ex-secretário de Educação Superior do MEC, e destacou que o projeto não menciona várias legislações, como o Plano Nacional de Educação (PNE), e nem o regulamento, como os marcos legais. “Além de não mencionar o relevante papel social das instituições federais, o projeto autoriza revalidar o diploma sem o rigor atual e comprar cursos em EAD de instituições do exterior”, alertou Amaro. Quem quiser saber da análise completa de Amaro sobre o projeto pode ouvir sua participação no programa Fora da Curva desta quarta-feira (8)

Representando o Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), o reitor da UFPE, Anísio Brasileiro, listou oito itens defendidos no recente encontro dos reitores realizado em Vitória (ES), a 176ª Reunião do Conselho Pleno da Andifes. “Podemos listar como pontos negativos: a superficialidade nas informações acerca do projeto, a consideração apenas de um foco econômico para as universidades, a criação das organizações sociais e o fato de o projeto desconsiderar os servidores técnicos-administrativos”, disse Anísio, que ressaltou o conteúdo da carta de Vitória  (http://www.andifes.org.br/andifes-carta-de-vitoria/).

 

Após as falas, o tesoureiro da ADUFEPE, Audisio Costa, abriu o debate e abordou a crise política brasileira e apontou caminhos para uma nação soberana.  Na rodada de perguntas e dos esclarecimentos participaram: as professoras Heloisa Morais (ex-presidentes da ADUFEPE) e Shyrley Campos (Departamento de Fisioterapia); o professor Ivan Melo; Flávio Alves, presidente da ADUFG, Osvaldo Brandão, diretor da ADURN e Enio Pontes (UFC): todos três integrantes do Proifes-Federação, além de alunos e o representante regional da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Confira a transmissão ao vivo no nosso canal no You Tube e também as entrevistas exclusivas sobre o evento.

 

 

 

 

 

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